Ghostwriting

Ghostwriting

Publicado em Tempo de leitura: 2 minutos

Look, it’s a new ghostwriter he needs, not another fucking politico. He was paid $10 million for these memoirs but rumor has it the manuscript’s a crock of shit.

É desta forma que o enredo de The Ghost Writer, um filme de Roman Polanski, começa a ser-nos revelado e ao contrário do que possamos pensar, não estamos perante uma história sobrenatural. De facto, o escritor fantasma à volta do qual se desenvolve a acção é uma personagem bem real.

Um escritor fantasma é alguém que escreve anonimamente um livro, um artigo, um relatório ou qualquer outro tipo de texto atribuindo os créditos a outra pessoa. Imagine que tem uma ideia fantástica para um livro mas que não tem tempo para o escrever; ou então, que ao transcrever essa ideia para o papel o resultado é pouco envolvente… Não é preciso desistir do projecto. Em vez disso, recorra a um escritor fantasma.

Parece-lhe estranho? Provavelmente sim, mas o ghostwriting não é uma tendência recente e ao longo da história é possível identificar inúmeros exemplos.

Profiles In Courages, é um best-seller que venceu em 1957 o prémio Pulitzer na categoria biografia e o seu autor é nada mais, nada menos do que John F. Kennedy (presidente dos E.U.A entre 1961 e 1963) contudo, existem argumentos credíveis para acreditar que a maior parte do livro terá sido escrito por Theodore Sorensen (o seu assessor político).
Algumas centenas de anos antes, mais precisamente no séc. XI, surgiu no Japão aquele que é considerado o primeiro romance literário do mundo: O Conto de Genji. A sua autoria é creditada a Murasaki Shikibu mas uma vez mais, os estudiosos acreditam que várias pessoas participaram na sua redacção, especialmente nos últimos capítulos da obra.

Uma vez que um escritor fantasma está normalmente sujeito a uma cláusula de confidencialidade é difícil obtermos estatísticas sobre essa actividade. Apesar disso, no artigo The good life of ghostwriting, Claudia Suzanne refere que segundo os membros da indústria livreira, mais de 50% dos livros sejam publicados com a ajuda de um escritor fantasma.

Quando se fala em ghostwriting é frequente questionar-se a legitimidade e a ética de tal opção; afinal de contas, o autor de um determinado livro pode não ser a pessoa que o escreveu, deturpando desta forma as expectativas dos seus leitores. Em entrevista à Of Spirit Magazine, Bob Olson argumenta que ghostwriting não é batota uma vez que “(…) são as ideias, os conceitos e as histórias do autor que criam o livro. (…) O escritor fantasma limita-se a por estas ideias, conceitos e histórias em palavras de maneira a criar um livro organizado, cativante e comercializável.”

Para saber mais sobre este tema, recomendo a leitura de Ghostwriting, um livro escrito (ou talvez não) por Andrew Crofts. Se gosta de cinema, não se esqueça de ver o filme The Ghost Writer.

 

E-mail Marketing

Se gostou deste artigo subscreva a newsletter e não perca a publicação de novos artigos.